Sindpoc denuncia precariedade que resultou em invasão e tiros na delegacia de Pau Brasil

Guarda municipal que fazia segurança da delegacia foi atingido por três tiros durante resgate de detento.

A falta de estrutura, física e de pessoal, nas delegacias baianas fez mais uma vítima na madrugada dessa segunda-feira, dia 28, na cidade de Pau Brasil, sul da Bahia. De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindpoc), Eustácio Lopes, um guarda municipal foi baleado com três disparos de arma de fogo durante o resgaste de um homem que estava custodiado no prédio improvisado que abriga a delegacia.

O guarda municipal Walfred Nascimento Santos, de idade não revelada, estava cedido pela prefeitura local para fazer a segurança da delegacia. Ele foi atingido no rosto e está internado no Hospital de Base de Itabuna. Durante a ação, os bandidos teriam se identificado como integrantes de uma facção criminosa e libertaram Davi de Jesus Araújo, acusado de assaltos e tráfico de drogas na região.

Para o presidente do Sindpoc, infelizmente, esse tipo de ação tende a ser cada vez mais comum. “Os bandidos se aproveitam da precariedade das condições de trabalho policial para fazer esse tipo de barbaridade. Não é exceção, pelo menos no interior, que delegacias funcionem sem o mínimo de condições físicas, sobretudo para custodiar elementos de alta periculosidade, e que a segurança seja feita por pessoas sem preparo e que acabam, como nesse caso lamentável, sendo vítimas da maldade de alguns e do descaso do estado”, explica Eustácio Lopes.

Acusado de tráfico de drogas e assaltos, Davi de Jesus Araujo foi resgatado da delegacia de Pau Brasil.

O sindicalista ressalta, ainda, que um levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) recentemente, indica que 25% das delegacias visitadas estão em processo de interdição e com capacidade acima do ideal, ou ainda que há déficit crescente de material bélico, como armamento, munições e coletes. “Esse cenário de sucateamento de nossa polícia não é novo e as autoridades sabem, mas continuam a penalizar a sociedade”, finaliza o presidente do Sindpoc.