BNews flagra rabecão do DPT circulando em Salvador em estado precário e sem placas; órgão tem série de problemas

No início desta semana, a reportagem do BNews flagrou um veículo oficial do Departamento de Polícia Técnica (DPT), o famoso “rabecão”, circulando em péssimas condições nas ruas […]

No início desta semana, a reportagem do BNews flagrou um veículo oficial do Departamento de Polícia Técnica (DPT), o famoso “rabecão”, circulando em péssimas condições nas ruas de Salvador. Mas, o que poderia ser um caso isolado acabou revelando um problema muito maior: a situação caótica enfrentada pelos servidores do órgão da Polícia Civil da Bahia.

As imagens capturadas pelo BNews mostram o rabecão na região do Dique do Tororó, próximo à sede do DPT, sem placas (dianteira e traseira) e praticamente caindo aos pedaços, onde até mesmo a identificação oficial da polícia é difícil de ser visualizada. O veículo é um dos três disponíveis para o Departamento na capital baiana.

Em contato com a reportagem, o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia (Sindpoc), Diego Messias, revelou uma situação muito mais preocupante. Segundo ele, os rabecões, que atendem às demandas em Salvador e Região Metropolitana (RMS), exceto nos municípios de Camaçari e Dias D’Ávila, carecem de manutenção, o que dificulta no atendimento das ocorrências. “Tais fatos acarretam atrasos e demoras no atendimento às demandas, fragilizando a população e o servidor que fica aguardando para atender as solicitações”.

O representante da categoria destaca que além das condições precárias dos veículos disponíveis, o déficit faz com que a demanda seja muito alta. “Vale salientar que os rabecões atendem as perícias de crime contra a vida (homicídios e suicídios), acidentes de veículos, engenharia legal (morte por eletropressão) e ainda recolhe os corpos nos hospitais”, explica.

Questionada, a Transalvador garantiu que qualquer veículo circulando sem placa nas vias da capital baiana comete infração garvíssima. “O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não isenta o veículo que aparece na imagem  de transitar sem a devida identificação. Os veículos, sejam eles oficiais ou não, devem trafegar com a placa adequada. De acordo com o inciso IV, do art. 230, do CTB, conduzir o veículo sem qualquer uma das placas de identificação é infração gravíssima, estando o infrator sujeito a sete pontos na CNH e multa no valor de R$ 293,47”, informou em nota enviada à reportagem.

Mas, os problemas do DPT não estão limitados ao estado de precariedade dos veículos oficiais. De acordo com Messias, as condições estruturais da sede do órgão também preocupa os servidores e oferece riscos. Em fotos que o BNewsteve acesso é possível ver mobiliário em situação crítica, paredes e teto mofados, entre outros itens que necessitam de manutenção. Tais condições que causaram um acidente, no início do ano, quando parte do teto do laboratório central do Departamento desabasse. “Até o momento não foi consertado”, denuncia vice-presidente do Sindpoc, que enfatiza a busca por apoio junto aos deputados estaduais.

“É importante frisar que a situação dos rabecões e da estrutura do DPT tem que ser resolvida com emergência, pois o Sindpoc não vai e não pode aceitar que o DPT continue nesse estado. Estamos buscando apoio  de parlamentares e conversando com os deputados estaduais para auxiliar na resolução desta situação que representa uma ofensa aos servidores que são obrigados a trabalhar e a conviver em um ambiente insalubre e aos cidadãos que procuram o DPT e são atendidos em um prédio sem nenhuma condição de infraestrutura”.

Procurada, a assessoria de imprensa do DPT informou que “parte da frota de rabecões é própria e os demais são resultado de um contrato de locação que tem 5 anos. O DPT informa ainda que uma nova licitação está em andamento para renovação dos carros”. Já sobre as instalações, destacou que “os três prédios que compõem a sede do DPT em Salvador sofrem intervenções preventivas e corretivas. A unidade que abriga o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, por exemplo, passou por reformas no térreo (geladeira) e tem outra em andamento no 1º andar (salas de necropsia). As intervenções tiveram por objetivo o conserto e revisão das redes elétrica e hidráulica, além das substituições de revestimento (piso,forro e parede)”. Por fim, garantiu que “estão em andamento projetos para a recuperação das estruturas de concreto, pintura e revisão elétrica de todos os prédios”.

Fonte: BNews