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quinta-feira 20 julho 2017
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Distorcendo a verdade para amenizar os resultados catastróficos na Segurança Pública baiana nos últimos 7 anos

marcos

A sociedade baiana ficou estupefata com a declaração do Secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa, numa rádio local de Salvador, onde afirmou que o número de mortes violentas intencionais divulgada pelo Atlas da Violência Brasileira, a qual foi resultado de pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), não corresponde à realidade do Estado.

Segundo o secretário, a culpa da Bahia se apresentar nesse estudo como um dos Estados mais violentos do Brasil e do mundo é fruto de uma metodologia equivocada do Instituto. Além disso os Órgãos de segurança pública nacional deveriam se ater ao combate efetivo nas fronteiras do Brasil com outros países, onde entram ilegalmente drogas.

Maurício Barbosa disse também que a diminuição das mortes violentas nos Estados do Sudeste é fruto de método de apuração de dados que não reflete a realidade naqueles Estados e que o fator preponderante para uma diminuição dessas mortes foi o monopólio do tráfico de drogas naquela região, enquanto que nos Estados do Nordeste, os quais apresentam números alarmantes de mortes violentas intencionais, a disputa do tráfico de drogas por grupos rivais (crime organizado) são os principais responsáveis por tantas mortes. Nessa análise ficou claro a dependência do Estado no animus delinquendi dos bandidos em matar ou não.

Ficou nítido também, nessa entrevista, a tentativa do Secretário em se eximir da responsabilidade no resultado dos altos índices de violência que estão ocorrendo desde a sua entrada em 2011 como titular da pasta. Não foi explicitado por ele como chegamos a mais de 40 mil mortes violentas intencionais no nosso Estado, entre 2011 e 2017, e que as ações de combate à violência se resumem às construções faraônicas, sem resultado efetivo à sociedade.

Nós profissionais da aérea de Segurança Pública, sabemos que o combate à violência não é uma receita pronta, que as ações intersetoriais compostas conjuntamente entre nossa área de atuação com a saúde, educação de qualidade, infraestrutura, emprego, uma política pública efetiva de igualdade de oportunidades, respeito na convivência entre as diferenças são essenciais para diminuição desse desastre social que se instalou em nosso Estado.

Temos também que explicitar à sociedade que a Segurança, como prestadora de serviço, está aquém da prestação qualificada, não por culpa dos abnegados profissionais da área fim que tanto se dedicam no combate à violência, mas a essa política de falta de condições de trabalho, capacitação continuada deficitária, desvalorização econômica e profissional.

Com esse modelo de Segurança Pública no Estado, a implementação de suas ações tende a aumentar ainda mais a violência e as mortes intencionais. Estamos vivendo uma guerra que está sendo a todo tempo maquiada e escondida pela SSP através da imprensa.

Acorda Rui Costa!

 

Marcos de Oliveira Maurício

Presidente do SINDPOC

Presidente da Federação Nordestina dos Policiais Civis.




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